sexta-feira, 6 de julho de 2012

Como é ser católico na China? Veja comentários de um padre chinês

'Nós precisamos rezar não somente pela Igreja na China, mas por todas as igrejas que são perseguidas', destacou padre Li
 
Imagine viver sem poder expressar sua fé, sem poder escolher quantos filhos ter, tendo que submeter seu planejamento familiar e até sua espiritualidade ao poder estatal. Essa ainda é a realidade de muitos habitantes na China, país comunista que adota, desde fins dos anos 70, um rígido controle de natalidade: a política do filho único.

Recentemente, o caso de uma chinesa que teria sido obrigada a abortar seu filho de sete meses chamou a atenção. A criança era o segundo filho da mulher. A medida é uma tentativa de conter o crescimento populacional no país, que em 2011 já tinha ultrapassado a marca de 1,3 bilhão de habitantes. O caso aconteceu na província do Shaanxi, no norte da China.

Em entrevista ao noticias.cancaonova.com, o padre chinês, José Li GuoZhong, que vive no Brasil há 30 anos, comentou o caso e também a atual situação no país de uma das grandes defensoras da vida e, portanto, contrária ao aborto: a Igreja Católica. O padre revelou que os católicos chineses, mesmo em minoria, são perseverantes em sua fé. “Comparando com a população, somos praticamente nada, acho que não chega a 1% da população. Mas mesmo assim os católicos chineses são muito fervorosos e fiéis”.
 
Veja abaixo a íntegra da entrevista com padre José Li:

noticias.cancaonova.com - Na China, são comuns situações como a dessa chinesa, em que mulheres são forçadas a abortar seu bebê quando este é seu segundo filho, tendo em vista a política do filho único que vigora no país?

Padre José Li GuoZhong
– Eu ia tocar no assunto dessa mesma fotografia que você viu pela internet e saiu numa revista. Eu fiquei impressionado com esta foto. De fato, a política de um filho único na China ainda é muito forte lá no país. Muitos casais, para terem o segundo filho, precisam ter a permissão do governo e pagar uma multa. Quando o casal não consegue pagar uma multa muito grande e não consegue autorização para ter o segundo filho, é forçado a fazer o aborto, como aconteceu com essa mulher que já estava com sete meses de gravidez e foi forçada a fazer o aborto.

noticias.cancaonova.com - Diante de situações como essa, da política do filho único, seria o caso de lutar mais pela aprovação de mecanismos de defesa da vida, como o estatuto do nascituro, que defende a vida desde a concepção? Como fazer isso na China?

Padre Li –
Com certeza. Nós defendemos a vida e, ao mesmo tempo, o aborto é contra a vida. Num sistema comunista, ditador na China, as pessoas estão sujeitas a fazer um aborto contra a própria vontade e nós precisamos defender a vida sim. Além de rezar, pelas vidas inocentes que foram mortas pelo sistema comunista, a gente precisa rezar pelas mães que sofrem com esse abuso do poder na China. Ao mesmo tempo, a gente deve dar apoio. Se a gente conhecesse a família, a gente daria um apoio a ela que vive nessa situação, não só num caso, mas em milhares de casos na China, sobretudo no interior do país, onde tem mais esse abuso do poder por parte dos policiais ou das delegacias. Então a gente precisa dar apoio e rezar por essas famílias

noticias.cancaonova.com - Uma das grandes defensoras da vida e, portanto, contrárias ao aborto, é a Igreja Católica. Qual a situação do catolicismo na China? Como as pessoas vivem essa religião no país?

Padre Li –
A Igreja vive numa situação difícil agora na China por causa de ordenação episcopal sem o conhecimento ou nomeação da parte da Santa Sé. Já houve casos de ter ordenação episcopal sem a aprovação da Santa Sé. Então a Igreja está vivendo numa situação difícil na China e nós rezamos pelo país, embora lá a Igreja seja dividida em duas partes. Uma delas pertence ao governo, a chamamos de Igreja Patriótica e a ordenação que acontece nessa Igreja Patriótica, dirigida pelo governo, é ilícita. Enquanto a Igreja do Silêncio ou Subterrânea ainda é perseguida pelo governo. Nós não temos liberdade total para celebrar o culto, para professar nossa fé na China. Nós temos bastante católicos, mas, comparando com a população, somos praticamente nada, acho que não chega a 1% da população. Mas mesmo assim os católicos chineses são muito fervorosos e fiéis. Uma vez que se tornam católicos, eles são muito perseverantes na fé. Embora nessa situação, em que não há liberdade religiosa e há perseguições em muitos lugares, os católicos procuram viver sua fé, rezar em casa, fazem celebração da palavra e, quando tem o sacerdote, procuram receber o sacramento. Vivem nessa situação de perseguição, mas perseverando na fé.

noticias.cancaonova.com - Depois de tantos anos morando no Brasil, o senhor já teve oportunidade de voltar à China? O que mudou por lá no que diz respeito à perseguição religiosa?

Padre Li –
Vai fazer 30 anos que estou aqui no Brasil e estou rezando muito pela Igreja na China, a gente nunca se esquece da nossa raiz. Voltei algumas vezes para visitar a família. Embora a situação tenha melhorado bastante, como eu tinha falado ainda não temos a liberdade total de rezar, expressar nossa fé católica e celebrar o culto. Quando eu visito os parentes, percebo que a fé deles é maior do que a nossa, tendo em vista a situação em que eles vivem. Eles têm uma perseverança na fé, um fervor, um zelo pela comunidade, pela nossa Igreja, eles rezam pelo Papa, pela nossa Igreja. Toda vez que eu visito a China, eu também aprendo muito com eles. Em agosto, devo visitar a família.

noticias.cancaonova.com - Que mensagem o senhor deixaria para que os cristãos possam rezar pela Igreja Católica na China, tendo em vista essas dificuldades que o catolicismo encontra no país?

Padre Li –
Nós precisamos rezar não somente pela Igreja na China, mas por todas as igrejas que são perseguidas. Que nós nunca percamos a esperança e a fé numa circunstância de perseguição e falta de liberdade religiosa. Nós precisamos, além de rezar, aumentar a nossa fé e a nossa confiança em Deus. Ele [Deus] nunca há de deixar faltar a sua graça para quem vive nessa situação. É onde São Paulo fala que a fraqueza manifesta a graça de Deus.

Acampamento para as famílias 20 a 22 de julho – Programação

PROGRAMAÇÃO

Sexta-feira (20 /07)
20h00 Santa Missa
22h00 Encerramento
Sábado (21/07)
08h00 Terço dos Homens
09h00 Pregação
10h00 Intervalo
10h30 Cânticos
11h00 Pregação
12h20 Promoção de Palco
12h30 Intervalo
14h30 Cânticos
15:00 Pregação
16h30 Intervalo
17h00 Santa Missa
18h00 Intervalo
20h00 Show com RICARDO SÁ
22h00 Intervalo
22h30 Encerramento
Domingo (23/07)
08h00 Terço dos Homens
09h00 Pregação
10h00 Intervalo
10h30 Cânticos
11h00 Pregação
12h30 Intervalo
14h30 Santa Missa
16h00 Encerramento
OBS: Sujeito a alterações sem aviso prévio.

20 ANOS DO CATECISMO

Três comissões episcopais da CNBB estão unidas na organização do Congresso sobre os 20 anos do Catecismo da Igreja Católica e o Ano da Fé. O evento está marcado para os dias 7 a 9 de setembro de 2012 na Pontifícia Universidade Católica do Paraná, em Curitiba (PR).

 Em mensagem dirigida aos bispos, presbíteros, diáconos, agentes de pastoral, formadores de seminários, professores e estudantes, os organizadores do Congresso apresentam a proposta do evento, que terá a participação do arcebispo secretário da Congregação para a Doutrina da Fé, dom Luis Francisco Ladaria.
As inscrições podem ser feitas no site da CNBB até o dia 19 de agosto, e o valor a ser pago é de R$ 100 (cem reais – não incluído alimentação nem hospedagem). Aos que desejarem um certificado de extensão universitária, deverão selecionar a opção no ato da inscrição, ao custo de R$ 10 (dez reais).
A seguir, a programação completa do Congresso. Para fazer a sua inscrição, clique aqui.

PROGRAMA DO CONGRESSO SOBRE OS 20 ANOS DO
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA E O ANO DA FÉ
07 A 09 DE SETEMBRO DE 2012 – PUCPR – CURITIBA /PR
CRONOGRAMA
Dia 07 – sexta-feira
8h00 – Recepção e Acolhida
8h30 – Celebração das Laudes
8h50 – Abertura
9h30 – 1ª Conferência: Dom Luís Francisco Ladaria: O Catecismo da Igreja Católica: história, atualidade e perspectivas
10h40 – Intervalo
11h – 2ª conferência: Pe. Fr. Dr. Carlos Josaphat, OP – A Estrutura do Catecismo da Igreja Católica e a vida cristã
12h – Almoço
14h – 1ª conferência nos grupos temáticos
Grupo I: Os Padres da Igreja no Catecismo da Igreja Católica – Pe. Ms. Ulysses Roberto Lio Tropia – PUC-MG
Grupo II: A Escatologia no Catecismo da Igreja Católica – Dra. Maria Clara Bingemer – PUC-Rio
Grupo III: A tradução brasileira do Catecismo da Igreja Católica: memórias – Dom Albano B. Cavalin – Arcebispo Emérito de Londirna
Grupo IV: A noção de fé no Catecismo da Igreja Católica – Pe. Dr. Geraldo Luiz B. Hackman – PUCRS e Comissão Teológica Internacional
15h – Intervalo
15h30 - 2ª conferência nos grupos temáticos
Grupo I: A liturgia no Catecismo da Igreja Católica – Pe. Dr. Gregório Lutz – PUCSP
Grupo II: A eclesiologia no Catecismo da Igreja Católica – Pe. Dr. Antonio J. Almeida – PUCPR
Grupo III: A recepção do Catecismo da Igreja Católica na América Latina – especialmente no Brasil – Pe. Dr. Luiz Alves de Lima, SDB – UNISAL – SP
Grupo IV: A fé como fundamento da espiritualidade Cristã – Dr. D. Bernardo Bonowitz, OCSO – Abade Trapista
16h30 – Interação com os participantes
18h – Celebração da Eucaristia com Vésperas: Dom Moacyr José Vitti

Dia 08 – sábado
08h30 – Celebração da Eucaristia com Laudes: Dom Jacinto Bergmann
09h30 – 1ª conferência: Dom Luís Francisco Ladaria: Ano da Fé: motivações, proposta e perspectiva
10h40 - Intervalo
11h – 2ª. Conferência: Pe. Dr. Mário de França Miranda, SJ - A Fé Cristã: dimensões pessoal e eclesial
12h – Almoço
14h – 1ª conferência nos grupos temáticos
Grupo I: A Sagrada Escritura no Catecismo da Igreja Católica – Pe. Ney Brasil – FACASC
Grupo II: A Cristologia no Catecismo da Igreja Católica – Pe. Dr. Domingos Barbosa Filho – ICESPI
Grupo III: A concepção de catequese subjacente ao Catecismo da Igreja Católica – Prof.a Dr.a Elza Helena Soares – UNISAL-SP
Grupo IV: A Celebração do Mistério Cristão: ambiente natural da fé cristã – D. Edmar Peron – Bispo Auxiliar de São Paulo
15h – Intervalo
15h30 - 2ª conferência nos grupos temáticos
Grupo I: O Magistério e o Catecismo da Igreja Católica – Pe. Dr. Antonio Luiz Catelan Ferreira
Grupo II: A Moral Cristã no Catecismo da Igreja Católica – Dom Sérgio da Rocha
Grupo III: A Iniciação cristã no Catecismo da Igreja Católica – Pe. Dr. Janison de Sá
Grupo IV: A Eucaristia no Catecismo da Igreja Católica: “pelas palavras de Cristo e pela invocação do Espírito Santo” – Pe. Dr. Francisco Taborda, SJ
16h30 - Interação com os participantes
18h – Vésperas

Dia 09 – Domingo
08h30 – Celebração da Eucaristia com Laudes: Dom Luís Francisco Ladaria
09h30 – Apresentação de tópicos dos Grupos Temáticos
10h15 – Intervalo
10h40 – Conferência final: Dom Luís Francisco Ladaria: considerações finais
11h40 – Celebração conclusiva e encerramento
Fonte: www.cnbb.org.br

Pessoal vale a pena conferir

Aumenta o número de sacerdotes no Brasil

O site ZENIT divulgou em 04 de julho de 2012 uma notícia na qual aponta que a partir de um censo anual realizado pelo Centro de Estatística e Investigações Sociais (CERIS), divulgado pela CNBB, informa um notável crescimento em relação às vocações sacerdotais e religiosas, concluindo que a tendência do aumento destas vocações no Brasil, confirmam o crescimento destes no mundo que começou no ano de 2000, e que ainda continua crescendo.

Um dos fatores levantados pela pesquisa é a distribuição de padres por habitantes. Em 2000 eram 16.772 padres. Em 2010 chegou a 22.119 padres. Em 2000 havia pouco mais de 169 milhões de habitantes e para cada sacerdote eram 10.123,97 habitantes. Dez anos depois havia aproximadamente 190 milhões de habitantes e cada padre teria o número de 8.624,97 habitantes.

A concentração do clero por regiões brasileiras, segundo a pesquisa do CERIS, mostrou que havia uma concentração maior na região sudeste em detrimento das outras regiões. Do total de padres no país a região sudeste concentrava quase metade dos sacerdotes, com 45%. O sul ficava com um quarto da população de padres, 25%, o nordeste 16%, o centro-oeste apenas 9%. Já o norte seria a região com menos padres, apenas 3%.

O quadro geral no Brasil "mostra uma vitalidade da religião católica, por meio de um borbulhar de novas modalidades, ou novas formas de viver a fé católica, por meio das novas comunidades, novos movimentos eclesiais e da volta às origens dos ideais das primeiras comunidades cristãs, que tem refletido outro quadro estatístico, que é da evolução do número de presbíteros entre os anos de 1970 e 2010, conforme vemos na atual planilha do CERIS. Isso indica um retorno ao catolicismo dos afastados, mas também uma identificação maior daqueles que já praticavam o catolicismo, mas não se sentiam muito firmes, identificados com a doutrina católica", destaca a análise.

Leia a notícia na íntegra: A vitalidade da religião Católica

Fonte: Zenit