quinta-feira, 1 de maio de 2014

Convite de Frei Nivaldo para o 8º Retiro de Oração


Testemunho sobre o Batismo no Espírito Santo


A importância do Tempo

thumb“Falta de tempo é a desculpa da falta de método” (Heus)
O melhor presente é o tempo Presente; então, é preciso aproveitá-lo bem. Mas há uma ciência em aproveitar o tempo. Não se trata de correr ao fazer as coisas, mas de não desperdiçá-lo com coisas sem sentido.
Para viver bem é preciso saber usar bem o tempo; é nele que construímos a nossa vida. Cada momento de nossa existência tem consequências nesta vida e na eternidade. Por isso, não podemos ficar “matando o tempo”; pois seria o mesmo que estar matando a nossa sua vida aos poucos. Na verdade, o tempo presente é a única dádiva que nos pertence; o passado já se foi, e o futuro a Deus pertence.
Viva intensamente o presente. Tenha sempre em mente o seguinte: a pessoa mais importante é essa que está agora na sua frente; o trabalho mais importante é este que você está fazendo agora; o dia mais importante da vida é este que você está vivendo hoje; o tempo mais importante é o agora. Alguns me perguntam como consigo fazer tantas coisas; a resposta é simples: não perder tempo e há tempo para tudo que é importante ser feito. É claro que precisamos priorizar as atividades.
Viver é como escrever um livro cujas páginas são os nossos atos, palavras, intenções e pensamentos.
As coisas pequenas, mas vividas com amor, assumem um valor elevado, enquanto muitos momentos aparentemente brilhan­tes são comparáveis a bolhas de sabão! Abrace com toda força as oportunidades que você tiver para crescer nos estudos e numa profissão. As chances que a vida nos dá não são muitas; e se você não aproveitá-las bem, pode chorar mais tarde.
Nunca fique sem fazer nada; ainda que você esteja desempregado ou de férias; pois sabemos que “mente vazia e desocupada é oficina do diabo”. Descansar não quer dizer ficar sem fazer nada; é mudar de atividade. Mesmo no campo ou na praia de férias você pode fazer algo que o descansa e que é útil.
Se fizermos as contas, veremos que todas as manhãs são creditados para cada um de nós 86.400 segundos; e todas as noites o saldo é debitado como perda e não é permitido acumulá-lo [saldo] para o dia seguinte. Todas as manhãs a sua conta é reiniciada, e todas as noites as sobras do dia anterior se evaporam.
Não há volta. Você precisa aplicar, vivendo o presente, o seu depósito diário. Invista, então, no que for melhor, em bens definitivos e não fugazes. Faça o melhor cada dia.
Para você perceber o valor de um ano, pergunte a um estudante que repetiu de ano. Para perceber o valor de um mês, pergunte para uma mãe que teve o seu bebê prematuramente. Para você perceber o valor de uma semana, pergunte a um editor de jornal semanal. Para perceber o valor de uma hora, pergunte aos namorados que estão esperando para se encontrar. cpa_para_ser_felizPara você perceber o valor de um minuto, pergunte a uma pessoa que perdeu o ônibus. Para perceber o valor de um segundo, pergunte a uma pessoa que conseguiu evitar um acidente. Para você perceber o valor de um milésimo de segundo, pergunte a alguém que conquistou a medalha de ouro em uma Olimpíada.
Lembre-se: o tempo não espera por ninguém. O dia de ontem é história. O de amanhã é um mistério. O de hoje é uma dádiva. Por isso é chamado “presente”! Não deixe que o tempo escorra por entre os dedos abertos de suas mãos vazias; segure-o de qualquer maneira para que ele vire eternidade.
Por que esperar amanhã para viver? O presente está cheio do passado e repleto do futuro. O bom aproveitamento do dia de hoje é a melhor preparação para o dia de amanhã. O tempo é sagrado, porque o evento da salvação se inseriu no tempo histórico. Mas é preciso ter uma noção correta do uso do tempo. Alguns pensam que “tempo é dinheiro”, e não conseguem parar. Não é assim.
Emmir Nogueira, tem uma bela reflexão baseada em Jacques Phillippe, autor de “Liberdade Interior”, (Ed. Shalom, 2004), que  ensina-nos que há dois tempos: um exterior, contato pelo relógio, e outro interior, contado pelo amor. Transcrevo aqui uma reflexão desse livro:
“O tempo exterior é o tempo do fazer, do trabalhar, estudar, produzir, produzir, produzir. É o tempo das horas marcadas, das agendas lotadas, dos compromissos importantes e inadiáveis. É o tempo que estressa, que envelhece, que desgasta, que irrita. Tempo que me fecha em mim mesmo, que me leva a pensar mais em mim do que nos outros, tempo de receber, de acumular. Tempo de usura.”
“O tempo interior é o tempo de ser, do trabalhar com gratuidade, do estudar com extasiamento, do produzir para o bem de todos, ainda que me “prejudique”. É o tempo que esquece o relógio diante da necessidade do outro. Tempo das agendas que sempre cabem mais uma horinha, tempo dos importantes e inadiáveis compromissos com a vontade de Deus.”
“Tempo interior é o tempo que pacifica ao ser doado, tempo que rejuvenesce porque tudo espera, tempo que refaz porque tudo crê, tempo paciente que tudo suporta. É tempo que me abre para o outro e para as boas surpresas de Deus, tempo de dar, tempo de partilhar. Tempo de gratuidade. É aquele tempo que se chama “paciência histórica”. Tempo que sabe que Deus tem o comando de tudo. Tempo que não se apressa em julgar e que se recusa a imprimir sentenças.”
“Tempo interior, é tempo de quem ora. É tempo de amor registrado pelos relógios da eternidade, sem ponteiros, sem dígitos. Tempo que sempre sobra. É o tempo em que Deus vive. Tempo que se partilha com Ele, carregado dos seus segredos de amor. Tempo que “guarda tudo em seu coração”, que se submete inteiramente à vontade de Deus. Tempo sempre sim. Tempo-sim a Deus e ao irmão. O tempo da eternidade vivido no tempo que se chama hoje.”
Usamos tanto a palavra URGENTE, que ela perdeu a sua força. O que é urgente, de fato? As nossas correrias? Não. Urgente é saber perguntar: qual o sentido de tudo o que estou fazendo? O mais urgente é saber agradecer a Deus o nascer do Sol que se repete a cada dia; urgente é o relacionamento com os filhos, o abraço na esposa, saber gastar o tempo com os outros… não se esquecer de viver a vida.
As pessoas não se tornam grandes por fazerem grandes coisas. Fazem grandes coisas por serem grandes. Para ser grande é preciso, pacientemente, construir-se a cada dia.
Prof. Felipe Aquino

Sejamos misericórdia para o mundo


Padre Fábio de Melo
Foto: Natalino Ueda/cancaonova.com
Jesus foi especialista em nos ensinar que não tem sentido a vida sem reverenciar a sacralidade dos irmãos que estão ao nosso lado. Não podemos nos esquecer de que devemos, aqui na Terra, viver como se já fosse o céu, ou seja, viver para a eternidade.

Com o tempo, vamos aprendendo a lidar com os nossos limites, e quando os reconhecemos, nos tornamos capazes de receber a misericórdia no outro. Os arrogantes não querem isso! Você, por exemplo, é capaz de olhar para o outro e dizer das suas misérias? É preciso ter uma boa caminhada de fé, coragem para andar nessa direção e assumir sua própria fragilidade.

A liturgia de hoje fala de ressurreição e misericórdia. Somos chamados a viver assim: como o Mestre, com disposição para vasculhar o nosso coração e expulsar dele aquilo que não se parece com Jesus. Assim, perceberemos que é preciso conversão.

A nossa fé precisa ser traduzida na vida. Se acreditarmos no Ressuscitado, precisaremos ser parecidos com Ele. Se você for arrogante, peça ao Senhor que retire isso de você. Podemos, por vezes, obedecer a algumas leis por um tempo, mas se não nos adentrarmos nelas, não as viveremos quando ninguém estiver nos olhando. Assim fez Jesus: viveu, aqui na Terra, como nós, para nos mostrar que é possível viver a lei da misericórdia. Nós devemos levá-la ao mundo. 
Depois que nos tornamos livres é que sabemos da importância de obedecer a Deus. Obedecer-Lhe significa ouvir d'Ele aquilo que Ele quer de nós.

Pobre é aquele que fica se lamentando daquilo que Deus fez n'Ele. Irmãos, aquilo que o Senhor fez em nós só está começando. Hoje, logo que entrei aqui, um único pensamento me ocorreu: nós ainda não conseguimos destruir o inferno, mas, neste dia, com certeza, uma trinca na parede dele nós fizemos. Não se acostume com os seus defeitos, porque eles permitem quem o diabo se aloje neles e semeie o inferno por seu intermédio. 
"Sejamos o rosto de Cristo para o mundo", exortou o padre.
Foto: Natalino Ueda/cancaonova.com



Se nós não nos vigiarmos, poderemos semear o inferno por meio de nossos gestos, seja pelo nosso olhar seja por nossas fofocas ou atitudes. Olhe Deus nos olhos! Permita que a misericórdia do Senhor o alcance, pois precisamos ser os legítimos discípulos do Mestre aqui na Terra.

Quando inauguramos nossa vida cristã? No batismo. Nesse sacramento, deixamos de ser criaturas e nos tornamos filhos de Deus. A partir desse momento, tem início em nós a vivência de Cristo. Ele é a raiz, a fonte que torna possível que nós atualizemos, a partir de cada Santa Missa, a experiência com o Ressuscitado.

O Senhor não se cansa de nós. Nenhum erro retira de nós a qualidade de filhos amados por Deus. Nada que fizermos mudará isso! Amados, não tenhamos medo de dizer que só a misericórdia do Senhor mudará este mundo do mal em que vivemos.

Se vivermos com os atos de misericórdia, mudaremos o mundo, pois a misericórdia é a forma aprimorada da Lei. Onde houver um coração cheio de misericórdia, ali haverá um coração parecido com o de Jesus.

Transcrição e adaptação: Luana Oliveira

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Padre Fábio de Melo 

Padre que evangeliza como cantor, compositor, escritor e apresentador do programa "Direção espiritual" na TV Canção Nova. 

O Trabalho dignifica o homem


“Trabalharás, que Eu [Deus] te darei”. Cresci ouvindo esta frase que minha avó Maria jurava, de pés juntos, estar escrita na Bíblia. Era o argumento que ela usava para nos convencer de que era necessário trabalhar e que isso nos faria bem. Em contrapartida, fui percebendo que muita gente trabalhava duro e não conseguia conquistar o que almejava. Via trabalhadores aderirem a paralisações por melhores condições de trabalho e salários mais altos, notava também desemprego, corrupção e até formas de escravidão que não correspondiam aos benefícios do trabalho que minha avó ensinava. 



Eu acreditava, realmente, que “trabalharás, que Eu [Deus] te darei” era um ensinamento bíblico. Procurei, muitas vezes, mas nunca encontrei esse registro nas Sagradas Escrituras. Até entender que, apesar de não estar na Bíblia, continha um importante ensinamento sobre a dignidade que o trabalho oferece às pessoas. O suor de cada dia é garantia também do pão cotidiano, afinal “Deus ajuda a quem cedo madruga”, como nos ensina a sabedoria popular. O trabalho, naturalmente, gera cansaço. Talvez, por esse motivo, as primeiras páginas da Bíblia o consideram como castigo dos céus. Já o Cristianismo entende que o trabalho dignifica o homem, porque lhe permite colaborar na continuação da criação divina. 

Em meio à agitação do dia a dia e em busca de crescimento intelectual e econômico, uma mensagem de São João Paulo II, escrita em 1981, alerta sobre um fato importante: “O trabalho é para o homem e não o homem para o trabalho”. Nesse sentido, recordo-me, todos os dias, das palavras do bispo italiano Dom Pierfranco Pastore antes de começar a rotina diária: “Bom trabalho, mas não demais”, alertava de maneira descontraída sobre o risco do ativismo. É que muitas pessoas podem realizar a própria profissão de maneira automática, sem colocar, em primeiro lugar, o amor, a dedicação e – o mais importante – as pessoas. É preciso tomar cuidado com o imediatismo e com a correria para não se tornar uma pessoa centralizadora. 

Gosto de uma dica do professor Felipe Aquino. “Se não estamos dando conta dos trabalhos, é porque estamos realizando coisas que não nos competem, ou seja, estamos nos tornando centralizadores”. Daí, a necessidade de nos avaliarmos continuamente, acolhermos sugestões de quem é próximo a nós e exercitarmos a capacidade de ouvir. Além disso, podemos realizar nossas atividades em contínuo diálogo com Deus, numa atitude de discípulos que aprendem com o Mestre. Jesus veio para servir, não para ser servido (cf. Mc 10, 45), porque aprendeu com o Pai a trabalhar sempre (cf. Jo 5,17). 

No Dia do Trabalhador, renovemos nossa esperança e nosso papel de colaboradores do desenvolvimento social. A comemoração do feriado do trabalhador recorda a manifestação de operários de Chicago, nos Estados Unidos, em 1886. Pessoas chegaram a ser mortas pelo simples fato de reivindicar a redução da jornada de trabalho para oito horas. Em 1955, o Papa Pio XII instituiu a Festa de São José Operário para dar sentido cristão à data e um protetor aos trabalhadores. 

Que o feriado de Primeiro de Maio não represente apenas um dia a menos de estresse em nosso calendário, mas uma data para que nos recordemos de São José Operário, pai adotivo de Cristo que, “na carpintaria em Nazaré, dividia com Jesus compromissos, esforços, satisfações e dificuldades do dia a dia”, conforme nos ensina o Papa Francisco. 


Rodrigo Santos
Missionário da Comunidade Canção Nova